Elastografia por USG
Processo FAPESP 2015/26778-3
A elastografia por ultra-sonografia (USG) é um método não invasivo que é capaz de inferir a rigidez do tecido de um órgão ou de uma lesão, através do grau de deformação ou da velocidade da onda que atravessa o mesmo. Sua primeira descrição foi em 1990 por Ophir e seu grupo, onde se usou uma pressão constante sobre a pele e mediu a deformação do tecido via ultrassonografia para estimar a elasticidade. Desde então, a técnica vem sendo aprimorada e outras diferentes técnicas também foram desenvolvidas com o intuito de medir a rigidez dos tecidos.
Atualmente existem duas técnicas de elastografia, dependendo da forma de emissão de ondas: a elastografia por tensão (strain elastography) e a elastografia por ondas de cisalhamento (Shear wave elastography – SWE). A mensuração também varia, sendo de forma qualitativa na primeira e quantitativa na segunda.
Equipamento
Elastrografia por ondas de cisalhamento por ARFI (SWE – 2D)
A vantagem dessa técnica é a possibilidade de visualização do local a ser estudada, evitando medições em locais com estruturas que influenciam no resultado final da medida, bem com menor influência de fatores extra- hepáticas, como ascite e obesidade, que também podem alterar a medida, uma vez que as ondas são geradas focalmente na região de interesse. É possível escolher o local de um órgão a ser analisado, colocando-se um marcador chamado região de interesse (region of interest – ROI) e medir a velocidade de propagação destas ondas neste local. Com esta técnica, portanto, temos a possibilidade de realizar a elastografia de órgãos mais profundos, quantificar a propagação da onda em velocidade (m/s) e calcular sua equivalência em força (kPA), podendo haver reproducibilidade. A elastografia por SW em 2D é a técnica mais recente e a sua vantagem é a possibilidade de obter uma área maior de analise em tempo real, com maior rapidez na aquisição dos dados. Transdutor que se utiliza é o convexo multifrequêncial C5-1.
Aplicações clinicas
De acordo com a rigidez do tecido, podemos obter diferentes ondas de cisalhamento. À medida que o tecido se torna mais rígido, a onda de cisalhamento se propaga mais rápido. Com a utilização de regiões de interesse (ROIs) no tecido alvo, podemos obter as medidas das ondas de cisalhamento de forma simples durante o exame de ultrassonografia, em tempo real e sem exposição à qualquer radiação ou necessidade de sedação em crianças. As aplicações clinicas mais comuns são: estudo do parênquima hepático (graduação de fibrose em pacientes com hepatopatia), baço (hipertensão portal), pâncreas, rins (nefropatias), próstata, mama e tireoide (nódulos), porém estudos na área de musculosquelético, cerebral e demais órgãos também tem sido descritos.
Limitações
Apesar das vantagens de não ser invasivo e não utilizar a radiação ionizante, uma das limitações para a aplicação desta técnica na prática clínica é a falta de padronização das medidas. O problema é que as ondas de cisalhamento diferem de acordo com o equipamento e transdutor utilizados, do fornecedor, da posição do paciente, o tempo de jejum em estudos abdominais, o número de medições, a profundidade de aquisição e os valores representativos como mediana ou valores médios. Outro estudo demonstrou a variabilidade de ondas de cisalhamento derivados de ARFI, dependendo da profundidade de aquisição e as frequências do transdutor. Porém esforços para padronizar medidas entre diferentes técnicas de elastografias têm sido realizados.
Aparelho
Epiq 7G (Philips Healthcare – Best, the Netherlands – software versão1.8).
Tipo de elastografia: por ondas de cisalhamento por ARFI (SWE – 2D) – ElastoQ
Inicio do funcionamento: Agosto de 2017
Localização: Serviço de radiologia do Instituto da Criança – HC-FMUSP
Projetos
1- Timo (finalizado)
Objetivo:
1- Correlacionar a elasticidade do timo avaliado à elastografia com valor de TRECs do sangue periférico de crianças e lactentes.
2- estabelecer valor normal para crianças com imunidade preservada
2 – Obesidade (esteato-hepatite não alcoólica)
Objetivo:
Correlacionar valores de elastografia do fígado de pacientes obesos com alteração da função hepática realizados por USG e sequencias direcionados de RM e biopsia.
3 – Hepatopatia
Objetivo:
Correlacionar valores de elastografia do fígado de pacientes com hepatopatia com biopsia.
Comitê de usuários:
– Dr. Uenis Tannuri (cirurgia pediátrica)
– Dra. Ruth (endocrinologia)
– Dr. Ariel Levy (imunologia)
– Dr. Gabriel Nuncio Benevides (gastroenterologia/hepatologia)
– Dra. Silvia Maria Sucena da Rocha (radiologia)
– Dra. Márcia Wang (radiologia)
– Dra. Lisa Suzuki (radiologia)
Interessados em projetos: entrar em contato com:
– Dra. Silvia Maria Sucena da Rocha (radiologia): silvia.rocha@hc.fm.usp.br
– Dra. Márcia Wang (radiologia): marcia.matsuoka@hc.fm.usp.br
– Dra. Lisa Suzuki (radiologia): lisa.suzuki@hc.fm.usp.br
AV. DR. ENÉAS CARVALHO DE AGUIAR, 647, SÃO PAULO - SP
(11) 2661-8500
