Alimentação no Prematuro
O leite materno é considerado o padrão-ouro para alimentação enteral do prematuro. A utilização do leite cru da própria mãe resulta em efeitos benéficos inigualáveis, particularmente relacionados a:
– Digestão e absorção de nutrientes;
– Estímulo da imunidade por proteção direta;
– Desenvolvimento neurológico e cognitivo, devido principalmente à presença de ácidos graxos poliinsaturados de cadeia longa(LC-PUFA) e dos oligossacarídeos exclusivos do leite;
– Proteção contra sepse(redução de 50%),
– Enterocolite necrosante,
– Displasia broncopulmonar e retinopatia da prematuridade;
– Desenvolvimento do sistema sensório motor-oral e redução de má oclusão dentária em 68%;
– Redução da prevalência de doenças atópicas,
– Alérgicas e autoimunes, bem como de obesidade e doenças do adulto;
– Efeito psicológico na relação mãe-filho.
O efeito protetor sobre sepse e enterocolite necrosante pode ser explicado pela melhor qualidade dos nutrientes do leite, bem como pela maior maturação da barreira intestinal nos prematuros alimentados com leite humano, pela presença de fatores de defesa e fatores de crescimento. Existe ainda um efeito protetor adicional, através do qual a mãe colonizada pelas bactérias da UTI neonatal pode sintetizar anticorpos específicos contra os microrganismos hospitalares e passá-los para o leite, protegendo o bebê contra essas bactérias agressivas.
O alimento de escolha para o prematuro é o leite de sua própria mãe, que possui, nas primeiras duas a quatro semanas de lactação, maiores concentrações de nitrogênio, proteínas nutritivas e com função imunológica, lípides totais, ácidos graxos de cadeia média e poliinsaturados de cadeia longa, fosfolípides e colesterol, vitaminas A, D e E, sódio, cloro e energia em relação ao leite de mães de bebês que nascem após 37 semanas de gestação. Quanto maior o grau de prematuridade, maiores os teores de proteínas e gorduras.
Quando o leite da própria mãe não está disponível para alimentação dos prematuros, uma opção segura e bem superior à fórmula láctea é o leite de doadora pasteurizado. A pasteurização elimina 100% de bactérias patogênicas e vírus, bem como 99,99% da flora saprófita. Os nutrientes são preservados quase integralmente, exceto algumas vitaminas(A, B1, B2, C e folato) e as lipases lácteas. A maioria dos componentes de defesa têm 60% ou mais de sua atividade preservada. Por este motivo, a doação de leite humano para os bancos de leite é muito importante e deve ser estimulada.
Valdenise Martins Laurindo Tuma Calil
Fabíola Roberta Marim Bianchini
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